O estágio ainda tem muito espaço para crescer no Brasil

Seme Arone Junior, presidente da Abres
Palavras chaves: Abres carreira estagio estágio
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Data 01/10/2026
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Com 1,2 milhão de estudantes em estágio, vejo um enorme potencial para ampliar oportunidades e aproximar juventude, educação e mercado

Ao analisar a pesquisa mais recente do Inep/MEC sobre educação no Brasil, uma conclusão se torna inevitável: avançamos, mas ainda temos muito espaço para crescer, sobretudo no mercado de estágio. Hoje, temos aproximadamente 1,2 milhão de estagiários no país. São 925 mil estudantes do ensino superior e 275 mil do ensino médio e técnico. Ao mesmo tempo, existem mais de 20 milhões de estudantes aptos a estagiar. Isso significa uma parcela ainda pequena diante do universo disponível.

Como presidente da Associação Brasileira de Estágios (Abres), vejo esse cenário menos como uma limitação e mais como uma oportunidade. Temos milhões de jovens estudando, empresas em busca de novos talentos e uma modalidade capaz de aproximar esses dois mundos de maneira estruturada.

O estágio precisa ser visto como investimento

Durante minha trajetória profissional, aprendi a valorizar processos capazes de desenvolver pessoas antes da chegada a posições de maior responsabilidade. O estágio oferece exatamente essa possibilidade.

A empresa recebe um estudante e passa a acompanhar sua evolução. O jovem aprende rotinas, desenvolve competências, conhece diferentes áreas e começa a entender as responsabilidades de uma carreira.

Não vejo essa relação apenas como uma contratação inicial. Enxergo como um processo de formação.

O mercado muda rapidamente. Tecnologias surgem, profissões se transformam e novas competências passam a ser exigidas. Nesse ambiente, formar talentos dentro das organizações ganha importância cada vez maior.

Uma oportunidade para as empresas

Costumo dizer como abrir uma vaga de estágio significa ajudar a construir o profissional necessário para o futuro. O estudante chega com conhecimento acadêmico recente, curiosidade e disposição para aprender. Já a empresa oferece experiência, orientação e contato com situações reais. Essa troca beneficia os dois lados.

Os números reforçam esse potencial. Segundo a Abres, entre 40% e 60% dos estagiários são efetivados ao final do contrato. O índice mostra como a experiência pode funcionar como uma ponte concreta entre formação acadêmica e emprego.

O desafio não está na falta de estudantes

Temos mais de 20 milhões de jovens aptos ao estágio. Portanto, o Brasil não sofre com falta de público interessado em aprender e trabalhar. Nesse sentido, o desafio está em ampliar a quantidade de oportunidades disponíveis.

Esse movimento depende de empresas, instituições de ensino, agentes de integração e poder público. Cada parte possui uma responsabilidade importante na construção desse ecossistema. Também precisamos olhar para além dos grandes centros, isso porque o talento brasileiro está espalhado por todo o território nacional.

Mais oportunidades significam mais desenvolvimento

Quando um estudante conquista uma vaga passa a construir uma rede de contatos, desenvolve autonomia, conhece sua área de atuação e ganha repertório para tomar decisões sobre o futuro. Existe ainda um efeito econômico importante, porque a bolsa-auxílio pode contribuir para despesas relacionadas ao transporte, alimentação, materiais e outros custos da rotina acadêmica. Por isso, ampliar o estágio também significa ampliar possibilidades de permanência nos estudos e de construção de carreira.

Precisamos transformar potencial em oportunidade

Eu acredito em um mercado capaz de oferecer muito mais oportunidades aos estudantes brasileiros. Os números atuais mostram uma base relevante, mas também revelam o tamanho do caminho ainda disponível. 

Se temos aproximadamente 1,2 milhão de estagiários diante de mais de 20 milhões de estudantes aptos, existe uma oportunidade concreta de expansão. Minha defesa é simples: precisamos tratar o estágio como parte da estratégia de desenvolvimento do país. O estágio não representa apenas o começo de uma carreira, mas uma escolha pelo desenvolvimento.

Seme Arone Jr., presidente da Associação Brasileira de Estágios (Abres)