Estatísticas do Estágio no Brasil

A Abres realiza anualmente uma pesquisa para saber quantos estagiários existem no Brasil. Além disso, analisamos fontes como Inep, MEC, IBGE, Pnad, entre outros, e apresentamos aqui os índices e números referentes à educação e mercado de trabalho no Brasil e no mundo

Alunos

Médio e Médio técnico

Estagiários

Médio e Médio técnico

Alunos

Superior

Estagiários

Superior

Distribuição regional

  • No total, são 9.861.024 alunos de ensino médio e técnico e apenas 275 mil estagiam (2,79%).

  • No Superior, são 10.227.266 estudantes e, desses, apenas 925 mil estagiam (9,04%).

  • Ou seja, dos mais de 20 milhões de estudantes aptos a estagiar, apenas 6% conseguem essa oportunidade.

% Alunos Médio e Médio técnico
% Estagiários Médio e Médio técnico
% Alunos Superior
% Estagiários Superior
Sudeste
4.040.965 (40,97%)
156.900 (57,05%)
4.518.942 (44,19%)
557.900 (60,31%)
Sul
1.382.582 (14,02%)
60.950 (22,16%)
1.750.161 (17,11%)
220.500 (23,84%)
Centro-Oeste
727.277 (7,37%)
16.800 (6,11%)
905.093 (8,85%)
53.200 (5,75%)
Nordeste
2.800.240 (28,40%)
34.400 (12,51%)
2.186.521 (21,38%)
69.450 (7,51%)
Norte
909.960 (9,22%)
5.950 (2,17%)
863.969 (8,45%)
23.950 (2,59%)
Exterior
-
-
2.580 (0,02%)
-
9.861.024 (100,00%)
275.000 (100,00%)
10.227.266 (100%)
925.000 (100%)

Panorama geral da educação e estágio no Brasil

O Brasil enfrenta desafios significativos no acesso à educação e à inserção de jovens no mercado de trabalho por meio do estágio.

Apesar do grande número de estudantes matriculados, a proporção de estagiários ainda é muito baixa.

 

Dos 9.861.024 alunos do ensino médio e técnico, apenas 275 mil estagiam (2,79%).

No ensino superior, com 10.227.266 estudantes, somente 925 mil (9,04%) têm essa oportunidade de colocar em prática o aprendizado da sala de aula.

 

Mesmo com um total de 1,2 milhão de estagiários, as empresas poderiam aumentar as chances dessa experiência para milhões de jovens no país.

Número de estudantes e estagiários no Brasil

Total de estagiários: 1,2 milhão

Ensino médio e técnico. Total: 9.861.024. Estagiam: 275 mil (2,79%) Ensino superior e tecnólogo. Total: 10.227.266. Estagiam: 925 mil (9,04%)

Fonte: Abres (2026) e Inep/MEC (2024, 2025)

Destaques da Educação e do Estágio em 2024

Os dados mais recentes da educação brasileira indicam avanços no acesso, mas também desafios importantes na permanência dos estudantes e na inserção prática no mercado de trabalho. Em 2024, o Brasil registrou aproximadamente 20,1 milhões de estudantes nos níveis médio, técnico e superior. Desse total, cerca de 1,2 milhão realizava estágio, sendo 925 mil no ensino superior e 275 mil no ensino médio e técnico.

 

A educação a distância passou a representar 50,7% das matrículas de graduação, consolidando uma mudança estrutural no ensino superior. No mesmo período, foram registrados 5.010.433 ingressantes e 1.333.828 concluintes.

 

Os dados também indicam que apenas 39% dos estudantes que ingressaram em 2015 concluíram a graduação até 2024, enquanto o sistema ofertou 23,6 milhões de vagas, com apenas 21,2% de ocupação.

Matrículas na Educação Básica e Profissional

Segundo o Censo da Educação Básica 2025, realizado pelo Inep/MEC, o Brasil registrou 7.370.879 matrículas no ensino médio e 2.490.145 no médio técnico. Somando os dois níveis, médio e técnico, o número de estudantes atingiu 9.861.024, dos quais, 348.446 realizavam os cursos concomitantemente. Eles estavam alocados em 29.754 escolas com 20,46% dos matriculados no ensino médio em período integral. Além disso, 223.258 alunos eram da educação especial.

 

O Censo da Educação Superior de 2024 indicou um crescimento de 2,51% no número de graduandos em relação ao ano anterior, alcançando 10.227.266 alunos. Desses, 5.037.482 (50,74%) estavam em cursos presenciais (ligeira redução de 0,51%) e 5.189.784 (49,26%) em educação à distância (aumento de 5,63%). As 2.561 instituições de ensino (IEs) superior no país eram compostas por 87,6% (2.244) de instituições privadas e 12,4% (317) públicas e ofereceram 45.776 cursos de graduação.

 

A rede privada ofereceu 95,85% das 23.665.419 milhões de vagas, com destaque para a modalidade Educação à Distância (EaD), com 78,55% (18.590.273) do total. Ou seja, caiu muito a oferta de oportunidades presenciais, foram apenas 21,45% (5.075.146). A rede pública ofereceu 4,15% ou 983.018 vagas. Contudo, apenas 21,17% (5.010.433) conseguiram ingressar em uma faculdade, deixando 18.654.806 de carteiras ociosas.

 

Em 2025, o Brasil contabilizou 46.018.380 matrículas na educação básica. Desse total, 7.370.879 eram do ensino médio, os quais, a partir dos 16 anos, já podem estagiar. A frequência escolar de jovens de 15 a 17 anos alcançou 75%, embora a taxa de abandono tenha sido de 5,9%. Essa quantidade de jovens saindo da sala de aula indica a necessidade de esforços contínuos na retenção de estudantes.

 

A maioria dos alunos do nível médio (84,8%) frequentava o turno diurno, enquanto 15,2%, o noturno. A rede estadual atendia 82,03% desse público.

Total de Matriculados no Superior - 2024

Total: 10.227.266

Fonte: Inep/MEC (2024)

EAD 5.189.784 (50,75%), Presencial 5.037.482 (49,25%)

Nível Médio - Tempo noturno e diurno

Total: 7.370.879

Fonte: Inep/MEC (2025)

Noturno 1,1 milhão (15,2%), Diurno 6,2 milhões (84,8%)

Regionalmente, a maior concentração estava no Sudeste (2,9 milhões), seguido pelo Nordeste (2,06 milhões), Sul (971 mil), Norte (769 mil) e Centro Oeste (584 mil). Fazendo outro recorte, 51% eram do sexo feminino.

 

O ensino profissionalizante apresentou um crescimento de 12,4%, com 2.490.145 matrículas, sendo 44,4% nas escolas privadas e 55,6% na rede pública. As mulheres eram maioria, com 1,3 milhão, frente 1,01 milhão de homens.

 

A educação de jovens e adultos (EJA) sofreu uma redução de 20,9% entre 2019 e 2023. Eram 2.589.815 matriculados, sendo 1.575.804 no fundamental e 1.014.011 do ensino médio. Ainda assim, há 68 milhões de brasileiros com mais de 18 anos fora da escola e sem a educação básica concluída, destacando a importância do EJA para mudar esse cenário. Em 2025, 4,32 milhões de pessoas se inscreveram no Enem – Exame Nacional do Ensino Médio em busca de uma graduação.

Ensino Superior no Brasil

Entre 2002 e 2024, o número de alunos de graduação no Brasil cresceu exponencialmente, passando de 3,5 milhões para 10,2 milhões. Esse aumento foi impulsionado pela expansão das instituições privadas e maior oferta de cursos EADs.

 

Desse total de universitários, 95,85% cursavam IEs privadas e 4,15% públicas. Os cursos de bacharelado continuavam sendo os mais procurados, com 62,5% das matrículas. Em seguida, vieram os tecnológicos (20,1%) e os de licenciatura (17,4%).

 

No ensino superior, existe uma variedade de segmentos para estudar e conquistar um diploma. Apesar das possibilidades, existem 10 áreas acadêmicas com mais matrículas.

Matrículas na Educação Superior

Fonte: Inep/MEC (2024)

Matrículas na Educação Superior por ano, de 2014 (7.839.765) a 2024 (10.227.266)

Matriculados no Superior por grau – 2024

Total: 10.227.266

Fonte: Inep/MEC (2024)

Matriculados no Superior por grau 2024. Bacharelado 62,5%, Tecnólogo 20,1%, Licenciatura 17,4%

10 maiores cursos presenciais – Brasil 2024

(em número de matrículas)

1º Direito

652.960

2º Psicologia

375.465

3º Medicina

283.594

4º Enfermagem

274.281

5º Administração

214.639

6º Odontologia

162.750

7º Sistemas de Informação

157.576

8º Medicina Veterinária

156.602

9º Pedagogia

154.442

10º Fisioterapia

143.969

Fonte: Inep/MEC (2024)

O investimento em educação superior é um dos principais indicadores de desenvolvimento econômico e social. Dados do relatório Education at a Glance, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), indicam que o Brasil ainda apresenta desempenho inferior ao de diversas economias desenvolvidas e mesmo de alguns países latino-americanos.

 

Enquanto países como Coreia do Sul (cerca de 70%), Canadá (aproximadamente 65% a 70%) e Reino Unido (em torno de 55% a 60%) apresentam taxas elevadas de conclusão no ensino superior, o Brasil permanece abaixo desses patamares. Na América Latina, países como Costa Rica (cerca de 30%) e Argentina (próximo de 20%) também apresentam desempenho comparável ou superior ao brasileiro em alguns indicadores de conclusão.

 

Os dados mais recentes do Censo da Educação Superior reforçam esse cenário. Apenas 39% dos estudantes que ingressaram na graduação em 2015 concluíram o curso até 2024, o que indica uma evasão acumulada próxima de 60% ao longo da trajetória acadêmica. Esse comportamento está associado a fatores como necessidade de renda, dificuldade de conciliar estudo e trabalho e expansão da educação a distância, que ampliou o acesso, mas também trouxe novos desafios relacionados à permanência.

 

Dessa forma, o desafio brasileiro não está apenas na ampliação do acesso ao ensino superior, mas principalmente na capacidade de garantir que os estudantes concluam sua formação em níveis compatíveis com os padrões internacionais.

Educação a Distância (EaD)

Em 2024, o número de ingressantes na graduação subiu 2,25% em relação a 2023, chegando a 5,01 milhões. Desse total, 88,52% foram em instituições privadas. Os cursos de bacharelado lideraram as novas matrículas com 54,2% (2.716.664), seguido pelos tecnológicos 29,8% (1.489.721) e licenciaturas 16% (804.048).

 

O EaD continua a expandir sua participação, representando 66,8% (3.347.573) dos ingressantes em 2024, contra 33,2% (1.662.860) na modalidade presencial.

 

Já entre os cursos mais estimados pelos novos universitários, estavam na liderança da lista: Pedagogia (431.141), Administração (334.310) e Sistemas de informação (252.078). Confira ao lado o ranking completo.

 

Entre os novatos no ensino superior, a maioria dos ingressantes (2.994.997) eram do gênero feminino. Para o masculino, o número de alunos novos era 2.015.616, uma diferença de 979.381 em comparação às mulheres.

10 maiores cursos em número de ingressantes – 2024

1º Pedagogia

431.141

2º Administração

334.310

3º Sistemas da informação

252.078

4º Direito

225.048

5º Enfermagem

199.858

6º Contabilidade

157.757

7º Educação Física

156.794

8º Gestão de pessoas

155.125

9º Psicologia

138.551

10º Biomedicina

115.090

Fonte: Inep/MEC (2024)

10 maiores cursos em número de concluintes – Brasil 2024

1º Pedagogia

103.474

2º Direito

98.326

3º Administração

76.938

4º Sistemas de Informação

61.827

5º Enfermagem

54.476

6º Psicologia

49.065

7º Gestão de Pessoas

47.430

8º Contabilidade

41.829

9º Medicina

38.501

10º Educação Física

32.458

Fonte: Inep/MEC (2024)

Evasão e Conclusão no Ensino Superior

A permanência dos estudantes no ensino superior ainda representa um dos principais desafios do sistema educacional brasileiro. Dados do Censo da Educação Superior 2024 indicam que apenas 39% dos estudantes que ingressaram na graduação em 2015 concluíram o curso até 2024, o que representa uma evasão acumulada próxima de 60% ao longo da trajetória acadêmica.

 

A evasão ocorre de forma desigual entre as modalidades. Na educação a distância, a taxa anual de abandono chegou a 24,1% em 2024, enquanto no ensino presencial foi de 9,5%, evidenciando diferenças relevantes na permanência entre os modelos.

 

Esse cenário reforça que a ampliação do acesso ao ensino superior não garante, por si só, a conclusão dos cursos, especialmente em um contexto de forte expansão da educação a distância.

 

O número de concluintes em 2024 foi de 1.333.828, uma diminuição de 2,96% em comparação a 2023, 1.374.789. Desses, 57,9% concluíram o bacharelado, enquanto os tecnológicos representaram 26,7% e as licenciaturas 15,4%.

Do total de 1.333.988 concluintes, 256.423 (19,3%) eram de faculdades públicas e 1.077.405 (80,7%), privadas. Isso reforça o papel do estágio como instrumento essencial para a formação e a permanência no curso, pois garante renda e a experiência prática. Afinal, para estagiar, o jovem, obrigatoriamente, precisa estar matriculado.

Vagas no Ensino superior e o Desafio da Ocupação

A expansão da oferta de vagas no ensino superior não tem sido acompanhada pelo mesmo ritmo de ocupação. Em 2024, foram disponibilizadas 23.664.880 vagas de graduação, com forte concentração na rede privada. No entanto, apenas 25,0% das vagas novas foram efetivamente ocupadas. Entre as vagas remanescentes, a taxa de preenchimento foi de apenas 10,4%.

 

Os dados indicam um desalinhamento entre a expansão da oferta e a capacidade de absorção dos estudantes, seja por limitações financeiras, escolha de curso ou condições de permanência.

 

Esse quadro ajuda a explicar por que o aumento da oferta não se traduz automaticamente em crescimento proporcional de matrículas ou de concluintes.

Transição Entre Ensino Médio e Ensino Superior

A transição entre o ensino médio e o ensino superior ainda representa um dos principais gargalos do sistema educacional brasileiro. Estima-se que cerca de 33% dos concluintes do ensino médio ingressam no ensino superior no ciclo seguinte, evidenciando uma perda significativa de estudantes ao longo da trajetória educacional.

 

Esse comportamento está associado a fatores como renda, acesso regional e necessidade de inserção precoce no mercado de trabalho, indicando que o desafio não está apenas na ampliação do acesso, mas na continuidade da formação.

Juventude, Escolarização e Trabalho

Os jovens brasileiros enfrentam desafios significativos em relação ao acesso à educação e inserção no mercado de trabalho. Conforme dados da PNAD Contínua de 2024, entre a população de 18 a 24 anos (48,1 milhões), a distribuição por condição de frequência escolar está ilustrada na imagem ao lado:

 

Os 8,8 milhões de jovens na condição “nem-nem” (nem estudam, nem trabalham) é o menor número desde 2019.

 

A proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que terminaram a educação básica obrigatória no país (pelo menos o ensino médio) chegou a 56,0% em 2024, maior percentual da série iniciada em 2016 (46,2%). A proporção de pessoas com nível superior completo subiu de 19,7% para 20,5%, no mesmo período, seu nível mais alto da série histórica.

Jovens Brasileiros: estudo x trabalho

Trabalham, mas não estudam 39,9%. Só estudam 25,1%. Nem estudam, nem trabalham 18,5%. Trabalham e estudam 16,4%

Fonte: IBGE (2024)

Houve avanços no ensino superior, com crescimento de 33% no número de graduados. A maioria da população, porém, ainda interrompe os estudos no ensino médio. Em 2024, 121 milhões de pessoas tinham completado o 2º grau, mas apenas 24 milhões (19,6%) chegaram à graduação e 8 milhões (6,6%) à pós-graduação.

Nível de escolaridade dos brasileiros

Fonte: IBGE (2024)

Ensino Médio 121 milhões, Ensino Fundamental 95 milhões, Graduação 24 milhões, Pós-graduação 8 milhões

A frequência escolar dos brasileiros em 2024

Fonte: IBGE (2024)

Não frequenta escola e não concluiu os estudos 65%, Frequência escolar correta 27%, Atraso escolar 4%, Não frequenta escola mas já concluiu 4%

Apesar da diminuição dos "nem-nem", a maioria deles segue sendo preta ou parda: em 2024, dos 8,8 milhões, 6,1 milhões eram pretos ou pardos, contra 2,7 milhões de brancos. Essa desigualdade racial se repete em outras frentes: jovens pretos e pardos são minoria entre os que apenas estudam e maioria entre os que trabalham sem estudar.

Ocupadas e estudando

Brancos 3,6 milhões, Pretos/pardos 4,1 milhões

Fonte: IBGE (2024)

Ocupadas e não estudando

Brancos 7,3 milhões, Pretos/pardos 11,6 milhões

Fonte: IBGE (2024)

Só estudando

Brancos 4,9 milhões, Pretos/pardos 7,1 milhões

Fonte: IBGE (2024)

Nem estudam, nem trabalham

Fonte: IBGE (2024)

Brancos 2,7 milhões, Pretos/pardos 6,1 milhões

Superior completo

Fonte: IBGE (2024)

Brancos 17,9 milhões, Pretos/pardos 10,8 milhões

Expectativas Geração Z e o impacto da IA

A Geração Z, composta por jovens nascidos entre 1995 e 2010, valoriza a flexibilidade no aprendizado e a conexão direta entre a teoria e a prática. Muitos enxergam o estágio como uma ferramenta propulsora para alcançar seus objetivos profissionais. Além disso, temas como sustentabilidade, diversidade e impacto social moldam suas escolhas acadêmicas e de carreira.

 

Com a crescente adoção da Inteligência Artificial (IA), esses jovens enfrentam novos desafios e oportunidades. A automação de tarefas repetitivas permite o desenvolvimento de habilidades estratégicas e criativas. O mercado global de IA, segundo a Grand View Research, deve atingir cerca de US$ 738 bilhões até 2030, transformando profundamente as demandas do mercado de trabalho.

Vagas de estágio no Brasil

No total, o Brasil tem cerca de 20,1 milhões de estudantes aptos a estagiar, mas segundo uma pesquisa da Abres, apenas 6% (1,2 milhão) deles conseguem uma oportunidade. Essa discrepância reforça os desafios de acesso ao estágio, especialmente em áreas com menor disponibilidade de vagas. “Contratar ainda mais estagiários é fundamental para construir as habilidades dos futuros profissionais do país. A falta disso gera cada vez mais desqualificação”, orienta o presidente.

No mercado existem inúmeras áreas de atuação para um estagiário conquistar a prática da sua profissão. Segundo o último levantamento da Abres, alguns segmentos se destacam com o maior número de vagas.

 

Por outro lado, áreas como Estatística, Ciências Atuariais, Gastronomia, Agronomia e Tecnologia da Informação frequentemente enfrentam dificuldades para atrair candidatos, mesmo oferecendo bolsas-auxílio mais altas e benefícios.

A Importância do Estágio

O estágio desempenha um papel crucial no desenvolvimento profissional dos jovens. Além de fornecer experiência prática, ele contribui para a aquisição de competências valorizadas pelo mercado, como trabalho em equipe, comunicação e resolução de problemas. Segundo levantamento da Abres, 40% a 60% dos estagiários são efetivados ao final do contrato, tornando o estágio um trampolim para o emprego formal. Porém, o cenário atual exige esforços coordenados entre instituições de ensino, empresas e governo para ampliar as oportunidades e tornar o mercado de trabalho mais acessível aos estudantes de todas as áreas e níveis educacionais.

 

Sobre a melhor época para procurar uma vaga, o presidente da Abres dá uma dica aos estudantes. “Nós sempre aconselhamos o jovem a buscar já no primeiro ano de curso. Dessa forma, é possível construir uma carreira profissional de sucesso desde cedo”, orienta Mencaci.

Distribuição de Estudantes e Estagiários por Nível

Total de estagiários: 1,2 milhão

Ensino médio e técnico. Total: 9.861.024. Estagiam 275 mil (2,79%) Ensino superior e tecnólogo. Total: 10.227.266. Estagiam 925 mil (9,04%)

Fonte: Abres (2026) e Inep/MEC (2024, 2025)

Cursos com o maior número de vagas de estágio:

Administração

16,8%

Direito

7,3%

Comunicação Social

6,2%

Tecnologia (Sistemas, Computação, etc)

5,2%

Engenharias

5,1%

Pedagogia

4,2%

10 maiores cursos de graduação – Brasil 2024

(em número de matrículas)

1º Pedagogia

887.695

2º Administração

653.126

3º Direito

652.996

4º Enfermagem

478.008

5º Sistemas de Informação

420.479

6º Psicologia

375.574

7º Contabilidade

303.939

8º Medicina Veterinária

156.602

9º Medicina

283.594

10º Fisioterapia

227.223

Fonte: Inep/MEC (2024)

Estagiários – Superior

Estagiários Sup.

% Estagiários Sup.

Sudeste

Sul

Centro-Oeste

Nordeste

Norte

557.900

220.500

53.200

69.450

23.950

925.000

60,31%

23,84%

5,75%

7,51%

2,59%

100%

Estagiários – Médio e técnico

Estagiários Méd.

% Estagiários Méd.

Sudeste

Sul

Centro-Oeste

Nordeste

Norte

156.900

60.950

16.800

34.400

5.950

275.000

57,05%

22,16%

6,11%

12,51%

2,17%

100%

A Importância do Estágio na Formação e Empregabilidade

O estágio desempenha papel estratégico na trajetória educacional dos estudantes, especialmente em um contexto de elevada evasão e dificuldade de inserção profissional. Ao permitir a combinação entre formação acadêmica e experiência prática, o estágio contribui para a permanência nos cursos, geração de renda e desenvolvimento de competências profissionais.

 

Além disso, estudos indicam taxas de efetivação entre 40% e 60% dos estagiários, reforçando sua relevância como porta de entrada para o mercado de trabalho.

 

Nesse cenário, a ampliação das oportunidades de estágio torna-se um fator decisivo para reduzir a evasão e fortalecer a conexão entre educação e empregabilidade.

Posicionamento Institucional

"O Brasil ampliou o acesso ao ensino superior nos últimos anos, mas os dados mostram que acesso não garante permanência nem conclusão. A evasão elevada e o baixo percentual de estudantes em estágio indicam um desalinhamento entre formação e prática profissional. Ampliar o acesso ao estágio significa aumentar a permanência e acelerar a inserção produtiva dos jovens"

— Seme Arone Junior, presidente da Abres.

Bolsa-Auxílio de Estágio no Brasil

Ciências e humanidades ou Ciências Atuariais? Engenharia ou Economia? Qual o curso com os estagiários mais bem pagos? As dez áreas com maior remuneração? A fim de levantar os valores oferecidos, o Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios promoveu a ‘Pesquisa Nacional de Bolsa-Auxílio 2024’. Realizada desde 2008, o atual resultado apontou a média geral em R$ 1.257,96, ou seja, 3,91% maior comparado a 2023, quando o índice era de R$ 1.210,66. O cenário demonstra os efeitos da recessão.

 

O estudo ocorreu de janeiro a junho de 2024, com 130 mil contratos de todo o país. O levantamento revelou um montante de R$ 1.431,22 para quem está no nível superior, crescimento de 3,95% em relação a 2023. Para os tecnólogos houve uma subida de 2,83% nos pagamentos, ficando em R$ 1.339,29. O ensino médio técnico também aumentou, ficando em R$ 1.052,49, um ganho de 6,77%. Já para quem está no nível médio, uma boa notícia: o valor é de R$ 907,18, aumento de 13,84%.

Média de bolsa-auxílio no Brasil

Geral

R$ 1.257,96

Superior

R$ 1.431,22

Médio técnico

R$ 1.052,49

Médio

R$ 907,18

Fonte: Nube

Média de bolsa-auxílio por gênero

Masculino

R$ 1.323,95

Feminino

R$ 1.243,57

Fonte: Nube

Na visão do presidente do Nube, Carlos H. Mencaci, o quadro demonstra uma boa perspectiva para o futuro. “O cenário demonstra um crescimento exponencial em todas as remunerações, o mercado está evoluindo em um ritmo significativo”, explica.

 

Quando a análise é feita por gênero, a quantia para os homens é maior, de R$ 1.323,95. Para as mulheres, o valor ficou em R$ 1.243,57. “Essa diferença é chamativa. Todavia, tem uma explicação. As moças, majoritariamente, optam pelas humanidades, tais como pedagogia, comunicação e saúde, por exemplo, as quais pagam menos quando comparadas às carreiras de exatas”, sintetiza Mencaci. Ao se observar um curso específico, não há esse tipo de divergência entre as bolsas-auxílio oferecidas.

Uma curiosidade sobre a pesquisa é o retorno de Agronomia ao topo do ranking. O curso não figurava o top 10 desde 2020, quando pagava cerca de 29% a menos. Uma carreira nova, Ciências e Tecnologia, estreou em 2013 e permanece até hoje. Já no nível Superior Tecnólogo, Banco de Dados lidera a lista desde 2016. Enquanto isso, no Médio Técnico, Informática, Edificações e Serviços Jurídicos estão na ponta, seguidos de Mecatrônica. Isso mostra como a digitalização é uma tendência e representa uma perspectiva de permanecer assim por muito tempo.

 

Os dados mostram o domínio de áreas analíticas e tecnológicas no Ensino Superior, com destaque para Ciências Atuariais, Estatística e cursos de TI, reforçando a valorização da transformação digital. No Ensino Médio Técnico, lideram formações industriais como Mecânica, Eletrônica e Eletrotécnica, seguidas pelas áreas de tecnologia e gestão. O cenário indica alta demanda tanto por profissionais técnicos quanto estratégicos.

Média de bolsa-auxílio por região do país

Sul

R$ 1.348,93

Sudeste

R$ 1.299,81

Nordeste

R$ 1.177,74

Norte

R$ 1.201,96

Centro-Oeste

R$ 1.218,91

Fonte: Nube