O Brasil forma milhões de estudantes, mas poucos conseguem estagiar

Seme Arone Junior, presidente da Abres
Palavras chaves: Abres carreira estagiário estágio oportunidade trabalho
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Data 20/08/2026
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Ampliar o acesso ao estágio é um dos caminhos mais eficientes para aproximar educação, mercado de trabalho e desenvolvimento econômico.

Todos os anos, o Brasil amplia sua capacidade de formar estudantes em diferentes níveis de ensino. Universidades, faculdades, institutos federais e escolas técnicas entregam ao mercado uma geração conectada, preparada para aprender e disposta a construir uma carreira. Entretanto, existe um gargalo importante entre a sala de aula e o ambiente profissional: o acesso ao estágio.

Os números expostos pela Associação Brasileira de Estágios (Abres) revelam esse desafio com clareza. Embora o país tenha mais de 20 milhões de estudantes aptos ao estágio, apenas 5,48% conseguem participar de um programa. O dado evidencia um enorme potencial ainda não explorado e aponta para a necessidade de ampliar oportunidades em todo o território nacional.

Essa realidade merece atenção porque o estágio representa muito além de uma atividade complementar ao ensino. Trata-se do primeiro contato estruturado entre estudante e mercado de trabalho, momento no qual conhecimentos teóricos passam a ser aplicados em situações reais.

Por que investir no estágio? 

Ao participar de um estágio, o jovem desenvolve competências técnicas, aprende a trabalhar em equipe, compreende a cultura organizacional e passa a construir uma visão mais ampla sobre sua profissão. São experiências difíceis de reproduzir exclusivamente dentro da sala de aula.

O benefício também alcança as empresas. Organizações capazes de receber estudantes têm acesso a profissionais em formação, atualizados em relação às transformações tecnológicas e às novas metodologias de trabalho. Essa troca fortalece a inovação e contribui para a renovação das equipes.

Outro aspecto importante é o impacto do estágio sobre a educação. Quando o estudante percebe a aplicação prática, sua motivação aumenta, assim a formação deixa de ser abstrata e passa a ter significado concreto. Essa conexão favorece a permanência nos estudos e fortalece o compromisso com a carreira escolhida.

A expansão dos programas de estágio também pode contribuir para reduzir desigualdades sociais. Muitos estudantes encontram nessa modalidade a primeira oportunidade de ingressar em uma organização, construir uma rede de contatos e iniciar uma trajetória profissional. Cada vaga representa uma possibilidade de transformação individual e familiar.

Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, ainda existe espaço para crescimento. O Brasil possui empresas em expansão, instituições de ensino qualificadas e milhões de estudantes preparados para aprender. Aproximar esses três atores deve ser uma prioridade permanente.

Criar novos programas, simplificar processos, fortalecer parcerias entre empresas e instituições de ensino e estimular políticas públicas voltadas à formação prática são medidas capazes de ampliar significativamente o acesso ao estágio.

O país precisa olhar para esse potencial com visão estratégica. Não faltam estudantes interessados em aprender nem organizações com necessidade de formar novos talentos. O desafio está em conectar essas oportunidades.

Quanto maior for essa integração, maiores serão os benefícios para a economia, para a educação e para a construção de um mercado de trabalho mais preparado para os desafios das próximas décadas.

*Seme Arone Jr., presidente da Associação Brasileira de Estágios (Abres)