Precisamos requalificar quem está começando a carreira

O mundo corporativo passou por forte revolução nos últimos anos

No momento atual, a velocidade das mudanças no mundo do trabalho superou a capacidade das estruturas tradicionais de formação de acompanhá-las. De acordo com dados do Fórum Econômico Mundial, quase metade das competências exigidas dos profissionais será substancialmente transformada nos próximos anos, e a maioria dos trabalhadores precisará desenvolver habilidades as quais não dominam hoje. Segundo outros levantamentos internacionais, uma parcela expressiva da força de trabalho global precisará se recapacitar em prazo muito curto, e a maior parte das lideranças empresariais já recorre à automação e à Inteligência Artificial para tentar fechar essa lacuna.

Como dedico minha trajetória profissional a conectar jovens ao primeiro emprego e a formar a próxima geração de talentos, vejo esse dado com uma mistura de alerta e oportunidade. Se as competências mudam nesse ritmo, devemos ensinar aos estagiários e aprendizes necessariamente além da grade curricular tradicional. Não basta cumprir uma carga horária ou seguir um plano de atividades genérico. É preciso construir, desde a porta de entrada no mercado, o hábito da aprendizagem contínua.

Sendo assim, a formação profissional não termina com um diploma, uma certificação ou um curso concluído. O conhecimento realmente relevante se aplica, resolve um problema e gera impacto imediato na rotina de trabalho. Se um estagiário aprende a buscar, filtrar e aplicar conhecimento de forma autônoma, sai na frente de quem apenas acumula certificados sem saber transformá-los em entrega concreta.

A Inteligência Artificial tem um papel decisivo nessa transição. Ferramentas capazes de identificar lacunas de competência, sugerir trilhas de aprendizagem personalizadas e entregar conteúdo no formato certo para cada momento já deveriam fazer parte da rotina de todo programa de estágio. Integrar essas tecnologias otimiza treinamento e forma profissionais mais preparados para o mercado.

Entretanto, um ponto não pode se perder nesse processo de automação e personalização: a experiência humana continua sendo insubstituível. A IA ajuda a identificar necessidades de aprendizado e a entregar o conteúdo certo, mas o contato com gestores, mentores e colegas de trabalho transforma esse conhecimento em maturidade profissional. No universo dos estágios, essa combinação separa um programa formador de um simples preenchimento de vagas.

As organizações à frente nesse movimento entenderam como o diferencial competitivo está em quanto o jovem consegue aplicar a teoria absorvida na sala de aula. Essa lógica vale tanto para quem já está consolidado no mercado quanto para os iniciantes. Se queremos formar profissionais prontos para um mercado em constante reinvenção, o momento de começar é exatamente quando eles ainda estão aprendendo a trabalhar.

*Seme Arone Junior é presidente da Associação Brasileira de Estágios

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