Dados recentes mostram qual experiência pesa mais na entrada do jovem brasileiro no mercado de trabalho
Três caminhos disputam a atenção de quem ainda está na faculdade: a pesquisa acadêmica, o empreendedorismo e o estágio. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Associação Brasileira de Estágios (Abres) e do Sebrae mostram que cada um pesa de um jeito diferente na construção de carreira, e a resposta sobre qual vale mais a pena depende do objetivo de quem pergunta.
O Brasil tem 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, o equivalente a 15,4% da população do país. Para essa geração, cada experiência conta como diferencial em um mercado que, segundo o MTE, ficou mais formal nos últimos anos, mas ainda enfrenta alta rotatividade profissional e exclusão social entre parte significativa dos jovens.
Estágio ainda é a porta mais disputada
O estágio segue como a via mais procurada, mas também a mais concorrida. Segundo a Abres, o país tem cerca de 20 milhões de jovens aptos a estagiar, mas apenas 5,5% deles, entre 900 mil e 1 milhão, conseguem a vaga — a mesma associação aponta que entre 40% e 60% dos estagiários são efetivados depois do período de estágio.
O volume de oportunidades cresceu nos últimos anos. Dados do MTE mostram que o número de estagiários saltou de 624 mil em 2023 para 990 mil já no primeiro bimestre de 2025. No mesmo período, a taxa de desemprego entre jovens caiu de forma expressiva, e o mercado formal ganhou espaço: 53% dos jovens ocupados no fim de 2024 já tinham carteira assinada.
A Abres também chama atenção para um problema estrutural que ainda limita esse caminho: a desigualdade regional na oferta de vagas, que dificulta o acesso de jovens talentos fora dos grandes centros ao primeiro contato com o mercado.
Empreendedorismo virou diferencial de propósito, não só de necessidade
Quem opta por empreender ainda na faculdade caminha na contramão de um estereótipo antigo. A pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), feita pelo Sebrae, mostra que 75,9% dos empreendedores entre 18 e 34 anos apontam o desejo de gerar impacto social como principal motivação para abrir um negócio, à frente de motivações puramente financeiras.
O perfil também mudou em escolaridade. O Brasil tem hoje cerca de 4,9 milhões de donos de negócio com até 29 anos, e o percentual desses jovens empreendedores com ensino superior incompleto ou completo saltou de 14% para quase 28% em 14 anos.
Ou seja, empreender parou de ser sinônimo de abandonar os estudos e passou a andar junto com eles.