
Crescimento do EAD no Brasil reforça a necessidade de integrar formação acadêmica e experiência prática por meio do estágio
A educação superior brasileira passa por uma transformação profunda. Entre 2000 e 2024, o ensino a distância deixou de ser alternativa periférica para ocupar posição central na formação acadêmica. O salto no número de matrículas revela essa mudança: de apenas 1.682 estudantes no início do século para mais de 5,1 milhões em 2024, conforme o último censo de educação superior, lançado pelo Inep/MEC. Trata-se de um avanço expressivo, impulsionado por tecnologia, conectividade e novas demandas sociais.
A pandemia de Covid-19 representou um divisor de águas. O ensino remoto ganhou escala, consolidou práticas digitais e acelerou a aceitação do modelo. A partir desse período, a modalidade EAD (Ensino à distância) passou a integrar de forma definitiva o planejamento educacional de instituições e estudantes.
Preferência dos estudantes e avanço nas instituições privadas
Dados recentes do Inep/MEC mostram um cenário emblemático. Em 2024, o Brasil registrou mais de 10,2 milhões de matrículas em cursos de graduação. Desse total, 50,7% correspondem ao ensino a distância, superando pela primeira vez o presencial. Nas instituições privadas, o protagonismo torna-se ainda mais evidente, com quase metade dos ingressos concentrados nessa modalidade.
O avanço tecnológico contribuiu diretamente para esse crescimento. Plataformas digitais, ambientes virtuais de aprendizagem e maior acesso à Internet permitiram a inclusão de estudantes antes afastados do ensino superior, sobretudo em regiões com menor oferta de instituições presenciais.
Cursos em destaque e foco no mercado
Entre os cursos mais procurados na modalidade EAD, destacam-se Pedagogia, Administração e Sistemas de Informação, seguidos por áreas como Educação Física, Contabilidade e Gestão de Pessoas. Esses dados revelam uma preferência por formações alinhadas ao mercado e com ampla aplicação prática.
No entanto, o crescimento do ensino a distância traz desafios relevantes. A formação acadêmica, por si só, não garante inserção profissional. Surge então a necessidade de integração entre educação e mercado de trabalho, especialmente por meio de programas de estágio.
O estágio representa uma ponte essencial entre teoria e prática. Para estudantes do EAD, essa experiência torna-se ainda mais estratégica, pois permite vivência corporativa, desenvolvimento de habilidades comportamentais e aplicação direta do conhecimento adquirido.
O papel das empresas na formação de talentos
Nesse contexto, empresas assumem papel fundamental. A abertura de vagas para estagiários contribui para a formação de talentos, fortalece equipes e promove inovação. Além disso, o contato com estudantes de diferentes regiões amplia a diversidade e traz novas perspectivas para os negócios.
Investir em estágios significa transformar conhecimento em experiência. Corporações, educadores e agentes de integração possuem, juntos, a responsabilidade de construir esse futuro!
*Seme Arone Jr., presidente da Abres (Associação Brasileira de Estágios)