
Entenda as principais características de um bom gestor moderno
Toda mudança de geração no mercado de trabalho traz consigo uma pergunta incômoda para quem ocupa posições de liderança: o seu modelo de gestão ainda funciona? Na Abres, essa pergunta atravessa nosso dia a dia, porque acompanhamos de perto a chegada de milhares de jovens ao mundo corporativo por meio do estágio.
De acordo com a Pesquisa Global de Consumo Marco 2025, houve uma virada de página. O líder carismático, cheio de discurso e visão abstrata, perde espaço para um modelo mais concreto, baseado em responsabilidade, comunicação direta e atenção individual a cada membro da equipe.
Responsabilidade acima de retórica
Segundo o levantamento, a característica mais valorizada em um líder hoje é a responsabilidade, seguida de perto pela capacidade de resolver problemas e de se comunicar com clareza. Já atributos tradicionalmente celebrados, como ambição e pensamento visionário, aparecem nas últimas posições do ranking.
Esse resultado não surpreende. As novas gerações não se impressionam mais com discursos motivacionais vazios e observam atitudes concretas. O líder cumpre com o prometido? Assume erros publicamente? Explica decisões com transparência? Essas perguntas simples se tornaram o verdadeiro teste de autoridade dentro das empresas.
Um dos dados mais reveladores da pesquisa é o peso ganho por empatia e transparência, lado a lado com competências técnicas. Conhecimento e direcionamento continuam importantes, sem dúvida. Mas deixaram de ser suficientes sozinhos.
Quem já supervisionou um estagiário conhece bem essa dinâmica. Explicar uma tarefa não basta. É preciso entender o momento de aprendizagem de cada jovem, suas inseguranças e o que o motiva a seguir adiante. Uma liderança capaz de formar pessoas, e não apenas comandar tarefas, precisa necessariamente de sensibilidade emocional.
Cada pessoa aprende de um jeito
Para 90,4% dos entrevistados, os comandantes devem adaptar seu estilo às necessidades individuais de cada membro da equipe. Essa é exatamente a lógica por trás de um estágio bem conduzido. Não existe modelo único de supervisão capaz de atender todos da mesma forma. Porém, há disposição genuína para enxergar a pessoa além do cargo ocupado.
Ainda, mais da metade dos participantes classificou inclusão e colaboração como extremamente importantes, com 36,5% atribuindo a nota máxima possível. Para uma associação dedicada à promoção de oportunidades de primeiro emprego, essa questão deixou de ser discurso institucional e se tornou expectativa concreta de quem está começando a carreira.
Diferenças culturais, fundamentos em comum
A pesquisa também revela nuances interessantes entre países. Responsabilidade, resolução de problemas e comunicação se confirmam como pilares universais em todos os mercados pesquisados. Ao mesmo tempo, Brasil, México e Portugal apresentam as maiores expectativas gerais em relação ao envolvimento e à capacidade de inspirar de seus líderes. Países do sul da Europa valorizam um pouco mais habilidades relacionais, como empatia, enquanto Espanha e Alemanha priorizam uma liderança pragmática, voltada para eficiência e resultado direto.
Essas diferenças mostram como não existe fórmula pronta de liderança. Há um conjunto de fundamentos, responsabilidade, escuta e comunicação, expressado de formas distintas conforme o contexto cultural, mas nunca deixa de ser a base.
Na Abres, entendemos essa reflexão como um convite direto às empresas contratantes de estagiários. Formar um jovem profissional exige além de ensinar tarefas técnicas. É preciso colocar em prática, no dia a dia, presença, responsabilidade, escuta individualizada e transparência.
*Seme Arone Junior é presidente da Associação Brasileira de Estágios – Abres