Estágio conecta educação e mercado de trabalho, ajuda a reduzir a evasão escolar e fortalece a formação profissional de jovens em todo o Brasil
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A evasão escolar continua sendo um grande obstáculo para o desenvolvimento educacional e profissional no Brasil. De acordo com dados do Inep, 16,7% dos jovens entre 18 e 24 anos deixam os estudos antes de concluir o ensino médio. Entre os principais motivos estão a falta de perspectiva de futuro e a necessidade de contribuir com a renda familiar.
Nesse cenário, o estágio surge como um importante aliado: ao oferecer uma vivência profissional ainda durante o período de formação, ele aproxima os jovens do mercado e dá sentido prático ao aprendizado da sala de aula. Além disso, pode ser um incentivo para permanecer na escola ou universidade. Como ampliar o acesso a essa oportunidade e transformá-la em uma estratégia efetiva de combate à evasão escolar? Entenda mais nesta matéria da TV Abres.
O estágio como ferramenta de permanência escolar e inclusão produtiva
Ao proporcionar uma vivência prática ainda durante o período de formação, o estágio ajuda o estudante a compreender, na prática, a aplicação dos conteúdos teóricos, tornando o processo educacional mais significativo. Muitas vezes, essa contratação permite ao jovem continuar estudando, ao associar o aprendizado ao esenvolvimento profissional, renda e construção de carreira.
Universidades como ponte entre educação e mercado de trabalho
Para cumprir esse papel de forma efetiva, a aproximação entre instituições de ensino e empresas é fundamental. Bruno Monteiro, coordenador do Nesp – Inatel, destaca como o contato direto com o mercado amplia a percepção de futuro dos estudantes: “o estágio é um grande aliado contra a evasão, porque o aluno consegue ver, na prática, o sentido das disciplinas de sala de aula. As faculdades podem dialogar com as empresas de diversas formas, uma delas é realizando workshops internamente, dentro da universidade, fazendo feiras de carreira, trazendo as empresas e, além disso, profissionais para apresentarem as suas oportunidades e o dia a dia”, exemplifica. Essas iniciativas ajudam a visualizar caminhos possíveis após a formação e reduzem a sensação de incerteza em relação ao futuro profissional.
O papel das empresas na formação educacional dos estagiários
As empresas também têm responsabilidade direta nesse processo. Além de oferecer vagas, é essencial encarar o estágio como parte do processo educativo, e não apenas como uma solução operacional.
A deputada federal Adriana Ventura reforça esse ponto ao destacá-lo como investimento social e educacional. “O papel das empresas na formação dos estagiários é fundamental, porque não é mão de obra barata, como falam, mas faz parte do processo educativo. Quando a empresa acolhe, orienta, valoriza, está ajudando a formar um profissional muito mais qualificado e comprometido. Isso é bom para o estudante, o país e a empresa. Investir em estágio é investir no futuro”, reforça.
Baixo acesso ao estágio evidencia necessidade de políticas públicas
Apesar da relevância dessa modalidade, o acesso ainda é limitado. Conforme dados da Abres, no ensino superior, dos cerca de 9,98 milhões de estudantes, apenas 836 mil realizaram estágio — aproximadamente 8,38%. No ensino médio e médio técnico, de mais de 10,09 milhões de estudantes, apenas 264 mil estão estagiando (cerca de 2,61%). Esses números revelam uma grande perda de potencial formativo e profissional.
A deputada chama atenção para a necessidade de modernizar a legislação e ampliar as oportunidades, especialmente para estudantes em fase final de curso: “uma nova legislação pode ajudar muito quem está no fim da graduação e tem dificuldade de conseguir estágio. Hoje, muitos programas excluem estudantes dos últimos semestres, justamente quando eles mais precisam de experiência prática. É preciso modernizar as regras, ser mais flexível e incentivar as empresas a acolher também esses alunos. Isso é justiça educacional”, aponta. Por isso, o PL 4477/2024 prevê a expansão do estágio a alunos do último ano e recém-formados.
“Não faz sentido formar sem ter a chance de aplicar o aprendizado. Ampliar a oferta contribui diretamente na educação e para a causa do trabalho. O estágio é a ponte entre a teoria e a prática. Hoje menos de 9% dos alunos no ensino superior conseguem estagiar, quando é ensino técnico cai para menos de 3%. Isso é uma perda enorme de potencial, e precisamos de política pública de incentivo para mudar esse cenário. Garantir a oportunidade para todos os jovens, e não só para aqueles com acesso e indicação”, complementa a deputada.
Ao integrar educação e mercado de trabalho, isso se consolida como uma das ferramentas mais eficazes para combater a evasão escolar, ampliar oportunidades e preparar jovens para uma inserção mais qualificada no mundo profissional.
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