Reter talentos é vantajoso para qualquer empresa, mas é preciso saber qual o momento certo e seguir algumas regras para a efetivação de estagiários, orienta supervisora do CIEE/PR
O estágio é a porta de entrada e uma verdadeira oportunidade para os jovens que desejam ingressar no mercado de trabalho. De acordo com a Associação Brasileira de Estágios (Abres), a efetivação após o fim do contrato acontece com 40% a 60% dos estudantes no país. Essa também é a estimativa do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE/PR) para o Estado do Paraná.
Para a Ilsis Cristine da Silva, supervisora operacional do CIEE/PR, é fundamental que as empresas estejam preparadas para oferecer suporte e tornar essa transição o mais tranquila possível. Ela ressalta também a importância de respeitar os parâmetros da Lei do Estágio (Lei nº 11.788/2008), que determina, por exemplo, o limite de dois anos para o vínculo em uma mesma empresa.
Finalizado esse período, e com a conclusão do curso, a efetivação deve ser formalizada com um contrato de trabalho sob o regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Efetivar e reter talentos
Ilsis reforça que o período do estágio é o momento de conhecer as potencialidades de um futuro colaborador. “O estágio é uma excelente oportunidade para o jovem mostrar seu potencial. A efetivação é, muitas vezes, um desdobramento natural desse processo”, comenta.
Quando a efetivação ocorre, os benefícios se multiplicam. A empresa reduz os custos com processos seletivos e ganha agilidade na formação de equipes, já que está contratando alguém que já conhece o funcionamento interno e a cultura organizacional. Para o jovem, a efetivação é uma conquista que valida sua trajetória e reforça a confiança no futuro profissional.
Dessa forma, o ideal é que as empresas tenham uma efetivação planejada, ou seja, que esse seja o objetivo desde o início do estágio. Isso significa oferecer ao estudante um ambiente estruturado, com acompanhamento contínuo e espaço para desenvolver habilidades práticas e comportamentais.
Também é importante que a empresa mantenha um diálogo constante com o estagiário, inclusive sobre as suas expectativas futuras. “Quando há intenção de efetivar, a comunicação clara e antecipada facilita a transição para o novo vínculo”, reconhece.
Um grande exemplo dos benefícios da efetivação é o de Ana Feitoza, que começou como estagiária em 2008 e hoje é gerente institucional da Companhia Paranaense de Gás (Compagas), após ter passado pela assessoria de comunicação. “Cada etapa dessa trajetória foi construída com muito envolvimento, aprendizado e vontade genuína de fazer a diferença”, conta.
Critérios vão além da técnica
Os principais critérios para efetivar um estagiário vão além das habilidades técnicas. Ilsis recomenda que as empresas devem observar o comprometimento, a proatividade, a capacidade de se relacionar bem com a equipe e o alinhamento com a cultura da organização. A evolução também é um indicador importante. “Se ele demonstrou crescimento, autonomia e capacidade de assumir desafios, esses são sinais claros de que está pronto para ser efetivado”, explica.
Ana concorda e lembra que os momentos que mais marcaram sua caminhada profissional foram justamente os de transição. “Aqueles em que fui desafiada a sair da minha zona de conforto, a saber olhar para processos e resultados, sem jamais perder de vista as pessoas que fazem tudo acontecer. Foi nesses momentos que aprendi o verdadeiro valor da liderança empática e da capacidade de se conectar de forma autêntica com as equipes”, conclui.
Para auxiliar as empresas nesse processo, a supervisora do CIEE/PR listou cinco passos para realizar a efetivação da melhor forma possível:
Checklist: 5 passos para uma efetivação de estagiário bem-sucedida
Planeje desde o início
- Defina objetivos claros para o estágio, com possibilidade real de efetivação.
- Estruture um plano de desenvolvimento com acompanhamento periódico.
Ofereça suporte e integração - Disponibilize um ambiente de aprendizado e acolhimento.
- Considere a presença de um mentor ou supervisor próximo.
Observe mais que habilidades técnicas - Avalie comprometimento, proatividade, relacionamento interpessoal e aderência à cultura da empresa.
- Leve em conta a evolução ao longo do estágio.
Comunique-se com clareza - Converse com o estagiário sobre expectativas e possibilidades futuras.
- Avise com antecedência sobre a intenção de efetivação.
Não se esqueça dos critérios legais - Respeite o prazo máximo de dois anos de estágio e as exigências da Lei nº 11.788/2008.
- Formalize a contratação com vínculo CLT ao final do curso.
A efetivação de estagiários, quando bem planejada, é uma forma de reter talentos, reduzir custos e construir equipes alinhadas com os valores da empresa, garantindo ao jovem um início de carreira sólido e promissor.