Número de estagiários com mais de 50 anos cresce 280% em 2024 | A Cidade On

De acordo com Associação Brasileira de Estágios, número de estagiários com 50 anos ou mais passou de 330 em 2023 para 1250 em 2024

O número de estagiários com 50 anos ou mais tem crescido de forma significativa no estado de São Paulo. De acordo com a Associação Brasileira de Estágios (Abres), entre 2023 e 2024 houve um aumento de quase 280%, passando de 330 para 1.250 estagiários nesta faixa etária. Quando comparado a 2021, o crescimento é ainda mais impressionante: 630%.

Os dados referem-se ao saldo de estagiários no final de cada ano, com base nas vagas divulgadas pelas empresas associadas à Abres.


Vagas para estagiários 50+ nos últimos anos

  • 2021: 171
  • 2022: 230
  • 2023: 330
  • 2024: 1.250

Estudantes acima de 60 anos no Brasil

Em todo Brasil, 51.369 estudantes com 60 anos ou mais estavam matriculados em cursos de graduação em outubro do ano passado, representando um aumento de 56% desde 2012, de acordo com dados do MEC (Ministério da Educação).

Recomeçar como estagiários aos 50

Segundo o presidente da Abres, Carlos Henrique Mencaci, entre os motivos para recomeçar no mercado de trabalho após os 50 anos está na busca por uma melhor qualidade de vida.

“É primeiro uma questão demográfica, porque hoje as pessoas estão vivendo mais e melhor. Então, as pessoas acima de 50 anos estão podendo rever sua vida e partir para um novo tipo de estudo, uma mudança de carreira, para ela fazer uma busca, talvez, de um sonho antigo. Elas já estão mais amadurecidas e têm essa condição de estudar de novo”.

Além disso, Carlos Henrique ressalta que com a pandemia, pessoas com carreiras estabilizadas tiveram a oportunidade de revisar suas profissões e voltar a estudar, especialmente por meio de EaD (Educação à Distância). “Hoje existem muitos cursos que são baratos e de fácil acesso. Pessoas de qualquer lugar do país conseguem estudar muito mais. Isso viabiliza que muitas pessoas possam estudar novamente e fazer uma busca por uma nova carreira”, ressalta.

Cursos mais procurados pelo público 50+

Entre os cursos de graduação mais buscados por pessoas com 50 anos ou mais, destacam-se:

  • Pedagogia
  • Administração
  • Direito
  • Educação Física
  • Engenharia Civil
  • Ciências Contábeis
  • Psicologia

“São áreas que, de certa maneira, têm uma atratividade maior para o público de 50 anos e têm certa facilidade de entrada pela experiência profissional que a pessoa teve ao longo da vida. Se nós quisermos que nossa população seja mais rica, nós temos que estudar mais. Estudando mais nós teremos mais oportunidades e vamos querer estudar mais. Então, esse ciclo virtuoso é o que mais pessoas acima de 50 anos perceberam”,ressalta o presidente da Abres.


Realização de um sonho

O estagiário André Marcelo Soave tem 52 anos e é um exemplo de profissional que resolveu recomeçar e realizar um sonho. Ele faz estágio em uma faculdade de Campinas, auxiliando os professores nas aulas de laboratório e conta que pretende seguir na área acadêmica.

“Eu sempre tive admiração pela química. Como minha família tinha uma empresa, eu optei por ajudar a família na administração. Aí eu fiz técnico de contabilidade e depois fiz economia. E com o passar dos anos, na verdade, das décadas, a empresa encerrou as atividades. Aí pensei que teria que partir para outra coisa”,explica.

André conta que a decisão de voltar a estudar, há dois anos, não foi fácil, mas se sente realizado e quer servir de exemplo para outras pessoas com mais de 50 anos.

“Como eu já estava há muitos anos fora, mas o cérebro da gente é como o nosso corpo, que nem academia. No começo você vai à academia e seu corpo vai sentir. Para o estudo também. Você começa, seu cérebro vai se adaptando e você vai estudando cada vez mais”,ressalta.

Estudantes e estagiários

O professor Nelson Maniasso conta que percebe uma tendência de pessoas com 50 anos ou mais voltando para a sala de aula e para o mercado de trabalho, como estagiários.

“São muito focados, muito tranquilos. Muito organizados, o que facilita muito dentro de área acadêmica. Eu acho que a indústria, de um modo geral, vai ter que voltar, porque essa é uma tendência, visto que o Brasil também está diminuindo a taxa de natalidade. Então, nós vamos ter que manter os profissionais que são bons e que tenham um melhor nível educacional e profissional, para que continuem nos seus postos ou abram novos postos para estes profissionais”, afirma.

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