estágio
Aline Conde e Bruno Rohde*
RIO – Chegar ao fim do período
de estágio e conseguir uma contratação é parte dos planos de todo universitário,
mas apenas metade dos 735 mil estudantes que se formam no ensino superior
brasileiro a cada ano pode comemorar o primeiro emprego. Da vaga na universidade
até o trabalho dos sonhos, os jovens precisam trilhar um longo percurso, e as
chances de efetivação na empresa dependem da área escolhida, do próprio
engajamento e qualificação do estagiário, além de fatores externos como o
desempenho da economia nacional.
Estágio no exterior pode ser passaporte
para o mercado de trabalho
Veja a cobertura da Mostra PUC no blog “Pé no
Mercado”
Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Estágios
(Abres), Seme Arone Júnior, para ser contratado, o estagiário precisa mostrar
que tem algo a acrescentar, além de ter o perfil desejado pela empresa. Segundo
dados da Abres, o total de vagas de estágio abertas atualmente no Brasil é de
1,1 milhão, sendo que 715 mil são para estudantes de ensino superior, e as
demais, para alunos do ensino médio.
Mas o índice de aproveitamento dos
universitários varia bastante em cada carreira. Algumas profissões são
privilegidas. O mercado para engenharia, design de interiores, petroquímica,
informática e indústria automobilística está em crescimento. Nessas carreiras,
mais de 90% dos estagiários são efetivados, segundo a Abres.
Desde que
começou a estagiar numa empresa de petroquímica, há pouco mais de um ano, a
estudante de engenharia mecânica Carla Waldimir, de 23 anos, soube que queria
ser efetivada, o que aconteceu recentemente. Hoje, sorri ao falar o nome de seu
novo cargo: engenheira de processos júnior.
A realidade não é a mesma em
carreiras como direito, jornalismo, pedagogia, fisioterapia e odontologia. Como
o mercado não consegue absorver o número crescente de formandos, o índice de
aproveitamento de estagiários oscila entre 9% e 15%.
A jornalista Rachel
Belo, de 24 anos, fez estágio em uma revista durante um ano, mas quando se
formou não conseguiu a vaga para continuar na equipe. Para enfrentar o primeiro
desemprego, ela trocou o Rio por São Paulo e se increveu numa pós-graduação.
Continuar os estudos também foi a solução encontrada por Carlos Dias, de 26
anos, que concluiu o curso de história e não conseguiu um emprego. Ele partiu
para a França, onde ingressou num curso de ciências políticas. A experiência
levou o historiador a se voltar para a carreira diplomática. Agora, estuda em
tempo integral para fazer a prova para o Ministério das Relações Internacionais.
Para quem já se formou e teme o fantasma do primeiro desemprego, há
opções, todas elas muito bem-vistas pelos empregadores: mestrado, MBA e
intercâmbio. Para o jovem que ainda está na faculdade, a dica é ter essa
preocupação desde já. O gerente de talentos do Grupo Foco, Rudney Pereira,
acredita que o futuro profissional deve se preocupar ainda no início da
faculdade em aumentar suas chances de conquistar um emprego. Por isso, ele
incentiva o aluno a participar intensamente da vida acadêmica e se aproximar de
professores com os quais se identifica.
– Buscar espaço no mercado
depende das soluções que você criou – completa Rudney.
*Aline Conde e
Bruno Rohde, da turma 2008 do Programa de Estágio Multimídia da
Infoglobo
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Fonte: O Globo on line