
Se espelhe no exemplo dos craques para a sua carreira
Desde o início de junho, o mundo acompanha a Copa do Mundo de 2026. Além dos gols e jogos de futebol, o torneio costuma deixar lições para a vida. Para quem está no início da carreira, vivendo o estágio, buscando a primeira oportunidade ou tentando se firmar em um novo ambiente de trabalho, existem paralelos valiosos.
Como presidente da Associação Brasileira de Estágios (Abres), acompanho diariamente jovens dando os primeiros passos no mercado de trabalho. É impressionante como as histórias da Copa do Mundo, como talentos emergindo, capitães se formando na pressão e técnicos confiando na equipe se parecem com os desafios corporativos.
Do campo para o primeiro emprego
Toda Copa tem sua revelação: um jogador jovem, muitas vezes sem grande experiência internacional, aproveita a oportunidade e se destaca. Também tem o capitão carregando a responsabilidade de unir o grupo, e o técnico tomando decisões, sob pressão, em quem confiar.
Esses papéis não são tão diferentes dos vistos no mundo corporativo. O estagiário sem bagagem, mas com disposição. O líder precisando aprender a ouvir antes de mandar. O gestor dando uma chance a quem nunca atuou em um cargo parecido. A diferença entre o talento de destaque e a decepção, na maioria das vezes, não é só técnica. Demanda atitude, preparo e capacidade de lidar com o momento.
Lições da Copa do Mundo para o início de carreira
Preparo sustenta a oportunidade: nenhum jogador chega a uma Copa do Mundo sem anos de treino, dedicação e repetição. Da mesma forma, a oportunidade de estágio não aparece do nada. Ela é fruto de currículo bem-feito, conhecimento técnico, cursos e disposição genuína para aprender. A sorte favorece quem está preparado para a chance quando ela chega.
Saber seu papel no time: nem todo jogador é artilheiro, e isso não diminui sua importância. Em um estágio, é normal não estar nas tarefas mais visíveis no começo. Entender seu papel, entregar com excelência e construir confiança aos poucos é o caminho mais sólido para crescer.
Resiliência diante dos erros: toda seleção perde uma bola, erra um passe, sofre um gol evitável. O diferencial dos grandes times é a capacidade de não travar quando isso acontece. No ambiente de trabalho, é a mesma coisa. O importante é se recuperar, ajustar a postura e seguir contribuindo.
O valor de jogar em equipe: é impossível ser campeão do mundo com apenas um jogador. A confiança entre os companheiros, a comunicação em campo e o apoio mútuo decidem os jogos mais difíceis. Em qualquer ambiente profissional, colaborar, ouvir os colegas e construir relações de confiança costuma valer tanto quanto a competência técnica individual.
Cuidar do corpo e da mente: as seleções de hoje investem tanto em preparo físico quanto em saúde mental e emocional dos atletas. Um jogador exausto ou ansioso não rende o esperado. A performance sustentável no estágio também passa por descanso, equilíbrio e atenção à questão emocional.
Ouvir os mais experientes: mesmo as maiores estrelas do futebol ouvem técnicos, capitães e companheiros mais experientes. No início de carreira, a humildade para pedir ajuda, aceitar feedback e aprender com quem já passou por aquele caminho acelera o desenvolvimento.
Não foque apenas no resultado: uma Copa do Mundo é decidida em detalhes, mas é construída em anos de processo. Da mesma forma, a trajetória profissional não se resume à primeira vaga. É construída processo a processo, experiência a experiência.
No fim, como em uma Copa do Mundo, o importante é a trajetória. Os aprendizados, as relações construídas e o desenvolvimento profissional. O torneio pode nos inspirar a olhar com mais atenção para os jovens talentos dentro e fora de campo.
*Seme Arone Junior é presidente da Associação Brasileira de Estágios – Abres