
Queda no número de formandos e baixa adesão às licenciaturas acendem alerta e destacam a importância da experiência prática
O Brasil registrou, em 2024, um total de 1.333.988 concluintes no ensino superior. O dado representa uma queda de 2,96% em relação ao ano anterior, quando 1.374.789 estudantes finalizaram a graduação. Embora os números, disponibilizados no último censo do Inep/MEC, ainda sejam expressivos, o recuo acende um sinal de atenção sobre a permanência e a conclusão dos cursos.
A análise desse cenário exige olhar atento não apenas para o acesso ao ensino superior, mas também para a trajetória dos estudantes até a formatura. Garantir a entrada tornou-se um avanço importante nas últimas décadas. No entanto, assegurar a conclusão ainda representa um desafio relevante.
Predominância do ensino privado e impacto na trajetória dos estudantes
Outro dado relevante refere-se à origem dos concluintes. Do total registrado em 2024, 80,7% são provenientes de instituições privadas, enquanto 19,2% concluíram cursos em instituições públicas.
Esse panorama reforça o papel das instituições privadas na formação de profissionais e evidencia a necessidade de políticas e iniciativas capazes de apoiar a permanência desses estudantes até o fim da graduação. Muitos alunos conciliam estudos com trabalho e enfrentam desafios financeiros ao longo do curso. Nesse contexto, o estágio surge como um elemento decisivo para garantir continuidade na formação.
Estágio como instrumento de permanência e formação
O estágio vai além da preparação para o mercado de trabalho. Ele também atua como ferramenta de permanência no ensino superior, pois oferece renda, experiência e perspectiva de crescimento profissional.
Ao participar de programas de estágio, o estudante fortalece vínculo com a própria formação, desenvolve habilidades práticas e amplia sua visão sobre a carreira escolhida. Além disso, a exigência de matrícula ativa para estagiar incentiva a continuidade dos estudos.
Empresas, portanto, exercem papel fundamental nesse processo. Ao abrir oportunidades para estagiários, contribuem diretamente para a formação de profissionais mais qualificados e para a redução da evasão no ensino superior.
Um compromisso coletivo com o futuro
A redução no número de concluintes exige reflexão e ação conjunta. Instituições de ensino, empresas e agentes de integração precisam atuar de forma integrada para garantir não apenas o acesso, mas a permanência e a conclusão dos cursos.
Investir em estágios, valorizar carreiras estratégicas como a docência e ampliar oportunidades práticas são caminhos fundamentais para reverter esse cenário e construir uma formação mais completa.
Cada estudante formado vai além de um diploma. Representa um projeto de vida realizado, uma trajetória de superação e uma contribuição concreta para o desenvolvimento do Brasil. Ao fortalecer o estágio como ponte entre educação e trabalho, abrimos portas para uma geração mais preparada, confiante e protagonista do próprio futuro.
*Seme Arone Jr., presidente da Abres (Associação Brasileira de Estágios)