Cuide da saúde mental dos estagiários

Esse fator é fundamental para o futuro do país

Falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho deixou de ser um tema restrito a especialistas ou departamentos de recursos humanos. Hoje, trata-se de uma questão estrutural, pois afeta produtividade, relações profissionais, formação de talentos e, sobretudo, a qualidade de vida de quem sustenta as organizações todos os dias. Ainda assim, em muitos locais, o assunto ainda é tratado de forma pontual, reativa ou apenas no discurso.

A saúde mental no ambiente de trabalho

O mundo do trabalho passa por transformações profundas. Novos modelos de contratação, jornadas híbridas, pressão por resultados e a aceleração tecnológica redefiniram rotinas e expectativas. Para quem está em início de carreira, esse cenário é ainda mais desafiador. A entrada no mercado deveria ser um período de aprendizado e construção, mas muitas vezes é marcada por ansiedade, insegurança e sobrecarga emocional.

De acordo com pesquisa realizada pela Vittude, 66% dos profissionais brasileiros já tiveram a saúde mental impactada negativamente pelo estresse relacionado ao trabalho. Não se trata de casos isolados, mas de uma experiência compartilhada por grande parte das pessoas. Ainda, o Net Promoter Score (NPS) das empresas em relação ao cuidado com a questão emocional ficou em -19. Ou seja, a maioria dos colaboradores não recomendariam suas organizações como ambientes preocupados com o bem-estar psicológico.

No ambiente corporativo, a lacuna entre discurso e prática fica ainda mais evidente. Segundo 32% dos profissionais, suas empresas não promovem nenhuma ação relacionada à questão psicológica. Entre as iniciativas existentes, predominam palestras e campanhas.

A saúde mental no universo dos estagiários

Para a Associação Brasileira de Estágios – Abres, esse debate é estratégico. A forma como o país cuida do fator emocional no trabalho impacta diretamente a formação dos futuros profissionais. Se os jovens ingressam em ambientes adoecidos, tendem a normalizar a exaustão e o sofrimento como parte inevitável da carreira. Caso encontrem espaços mais humanos e equilibrados, desenvolvem relações saudáveis com o trabalho e com o próprio desempenho.

A sociedade já entendeu essa mudança. Mais de 78% dos brasileiros preferem trabalhar em empresas com programas de saúde mental e para 92%, o tema precisa ser tratado com maior seriedade. O recado é claro: cuidar das pessoas não é um diferencial competitivo passageiro, mas uma exigência do presente e do futuro.

Investir nesse tema  resulta em sustentabilidade, retenção de talentos e reputação. Além disso, é preciso assumir responsabilidade sobre o impacto do trabalho na vida das pessoas. O silêncio, nesse caso, tem um custo alto e nenhuma organização pode mais se dar ao luxo de ignorar.

*Seme Arone Júnior é presidente da Associação Brasileira de Estágios – Abres

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