
O mundo digital não traz só benefícios para a população
Nos dias de hoje, a tecnologia está profundamente integrada ao nosso cotidiano. Essa realidade é ainda mais marcante entre os jovens, pois eles nasceram em meio à revolução digital e têm nas telas um elemento constante de interação, aprendizado e entretenimento.
De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil, 93% dos brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a Internet. O dado revela o quanto o ambiente digital se consolidou como parte essencial da rotina dessa geração. Por um lado, representa acesso à informação e oportunidades de desenvolvimento, mas, por outro, traz desafios importantes relacionados ao uso consciente.
Quando o uso da Internet é prejudicial
A preocupação surge quando o uso da Internet excede os limites e começa a prejudicar diversos aspectos da vida. Isso pode causar impactos diretos na saúde mental, contribuindo para quadros de depressão, ansiedade, hiperatividade e transtornos de atenção. Ademais, a exposição prolongada às telas tende a reduzir o convívio social, levando ao isolamento, à irritabilidade e até à agressividade.
Para a Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP, adolescentes de 11 a 18 anos devem utilizar telas por no máximo três horas diárias, mas, na maioria das vezes, esse tempo é ultrapassado com facilidade. A web oferece inúmeras possibilidades, como conversar, jogar, assistir vídeos, seguir influenciadores e explorar novas tendências, logo, é fácil perder a noção do tempo diante de tantas distrações.
Contudo, é preciso lembrar: o universo digital também apresenta riscos. As redes sociais, por exemplo, podem estimular comparações, inseguranças e distorções de autoimagem, contribuindo para o surgimento de transtornos alimentares e problemas de autoestima. O cyberbullying é outro fenômeno preocupante, gerando sofrimento emocional profundo e comprometendo o desenvolvimento social dos jovens.
Outro ponto crucial é o impacto sobre o sono. Sem acompanhamento familiar, muitos adolescentes permanecem conectados até altas horas, resultando em insônia, mau humor e queda no desempenho escolar. Esses efeitos, somados, contribuem para uma sensação de exaustão física e mental cada vez mais precoce.
Em casos mais graves, o comportamento pode evoluir para uma dependência digital, caracterizada pela necessidade compulsiva de estar on-line e pela ansiedade quando há privação de conexão. Durante a pandemia de Covid-19, esse fenômeno ganhou destaque, pois o isolamento social ampliou significativamente o tempo de uso das telas.
Embora o transtorno de dependência de Internet ainda não seja reconhecido oficialmente pela comunidade médica, a Organização Mundial da Saúde – OMS incluiu o uso excessivo de jogos eletrônicos na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), reforçando a necessidade de olhar com seriedade para o tema.
A tecnologia é uma aliada poderosa na educação e no desenvolvimento profissional, mas deve ser usada de forma consciente e orientada. Cabe às famílias, escolas e instituições formadoras estimular o diálogo, a empatia e o autoconhecimento para os jovens conseguirem navegar no mundo digital sem perder a sintonia com a vida real. Em um tempo de tanta conectividade, o maior desafio talvez seja reaprender a se desconectar.
*Seme Arone Junior é presidente da Associação Brasileira de Estágios – Abres