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Abres - Associação Brasileira de Estágios

:: 18-08-18 | Folha Pe

Dia do estagiário: só 9,2% dos universitários têm a oportunidade

No dia dos estagiários, 18, os estudantes ainda sofrem com a falta de oportunidades diante do atual quadro econômico. Dos 8,01 milhões de acadêmicos no nível superior, por exemplo, apenas 740 mil estagiam, ou seja, 9,2%

Apesar do momento econômico difícil, Clarissa foi uma das felizardas que uma oportunidade de estágio numa empresa de TI e logo depois foi efetivada Apesar do momento econômico difícil, Clarissa foi uma das felizardas que uma oportunidade de estágio numa empresa de TI e logo depois foi efetivada

A inserção no mercado de trabalho não tem sido uma facilidade no cenário atual em que a economia anda em recuperação lenta. Nesse contexto em que no dia 18 de agosto se comemora o Dia do Estagiário, o estágio é uma oportunidade de estudantes aprenderem na prática a importância de uma sonhada vaga de trabalho. Prestes a completar 10 anos, a conhecida Nova Lei do Estágio foi uma conquista para estudantes que antes não tinham nenhum regimento. Mas, infelizmente, a realidade é preocupante em números de oportunidades de estagiários no Brasil.

Dos 8,04 milhões estudantes no ensino superior no Brasil, apenas 740 mil estão inseridos em um estágio, o que representa 9,2%. No contexto dos 9,6 milhões de alunos no ensino médio e técnico, apenas 260 mil conseguem uma vaga de estágio, o equivalente a 2,7%. “É uma demanda grande querendo uma vaga. Os números de estágios são poucos no Brasil. O estágio obriga o jovem a estudar e ainda se inserir em um ambiente empresarial, tão importante para a sua formação”, disse o diretor da Associação Brasileira de Estágios (Abres), Mauro de Oliveira.

Por isso, é preciso as empresas enxergarem o estágio como uma atividade promissora. “É uma etapa importante para inserção em empregos. O estágio possibilita o conhecimento, desenvolvimento de competências e vivência da prática para os estudantes. O estágio traz a autoafirmação e ajuda a escolher a profissão correta para o aluno”, explicou a gerente do IEL Pernambuco, Juliana Nogueira, ao complementar que é fundamental alinhar o estágio com base na lei. “O termo de compromisso de estágio é imprescindível para reger a relação entre a empresa, a instituição de ensino e o estudante”, avaliou.

Há quase dois anos no quadro de colaboradores da empresa de Tecnologia da Informação, Liferay, a administradora Clarissa Ivens, de 23 anos, começou como estagiária no local. Em junho de 2017, Clarissa se formou e foi efetivada na Liferay. “Na época que estava na faculdade vi um anúncio do processo de estágio para a empresa e fui selecionada. Desde o princípio, meu instrutor disse que as atividades que eu iria desempenhar poderiam ir além do estágio. Então eu me dediquei”, contou Clarissa.

Estagiar é ter essa previsão de como se comporta o temido mercado de trabalho. E a Nova Lei do Estágio, de 2008, veio regulamentar a prática da atividade. “A primeira lei foi de 1977, mas não era abrangente. Não tinha, por exemplo, a obrigação de recesso remunerado e nem do auxílio-transporte. Então, o novo texto foi uma grande evolução no Brasil, facilitou a vida do jovem e promoveu segurança jurídica para as empresas”, analisou Oliveira, reforçando que o estágio não é trabalho.

Com a nova lei, a empresa também ganhou uma série de benefícios, segundo Oliveira. “Era preciso criar medidas para incentivar o empresário a contratar. Por isso, alguns benefícios os estagiários não recebem, como FGTS e 13° salário”, explicou o diretor da Abres, ao acrescentar que a lei prevê para o estagiário o auxílio-transporte, o recesso remunerado e a bolsa-auxílio. Esse último não existe previsão na lei do valor. “Hoje não existe na lei um valor mínimo determinado para a bolsa-auxílio, fica a cargo do concedente”, informou Juliana.

Outro ponto previsto nas regras é a redução de 50% da carga horária do estudante em semana de provas da faculdade. O aluno de Direito, Cezar Thiago, acredita que essa medida é importante. “É bom para que o aluno consiga se dedicar as provas, então sou liberado mais cedo do estágio”, disse Thiago, que está há três meses estagiando no escritório de advocacia, Queiroz Cavalcanti. “Foi meu primeiro estágio. É um aprendizado e uma experiência enorme para me preparar para um mercado competitivo. Hoje, a teoria precisa se juntar à prática”, contou o estudante. Nesse sentido, Oliveira afirmou que “o estágio promove o crescimento do País”.